IMG-LOGO
Geral

Macron cita “ameaça russa” e propõe discutir escudo nuclear europeu

- 06/03/2025 9 Visualizações 8 Pessoas viram 0 Comentários
image 1

O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu a necessidade de reforçar a capacidade de defesa da Europa diante das ameaças crescentes, destacando a importância da dissuasão nuclear francesa. Durante um discurso realizado na quarta-feira (5), Macron afirmou que a segurança do continente europeu está diretamente ameaçada pela guerra na Ucrânia e enfatizou que os países europeus precisam estar preparados para se defender sem depender dos Estados Unidos.

O líder francês anunciou que a França dobrou seus gastos militares nos últimos dez anos e que novos investimentos em defesa serão feitos, sem que haja aumento de impostos. “Teremos que fazer novas escolhas orçamentárias e realizar investimentos adicionais que agora se tornaram indispensáveis”, afirmou.

Leia também
image 2

Kremlin critica discurso duro de Macron sobre ameaça russa e armas nucleares

Discurso de Macron “dificilmente pode ser percebido como de um chefe de Estado que está pensando na paz”, disse o porta-voz do Kremlin

image 3

“Good luck Justin”: Trump diz que falou com Trudeau, mas não muda política de tarifas

Trump afirmou que ligação terminou de forma “um pouco” amigável

Um dos pontos centrais do discurso de Macron foi a dissuasão nuclear. Ele reforçou que o último recurso nuclear “sempre esteve e continuará nas mãos do presidente da República”. No entanto, propôs abrir um “debate estratégico” sobre o papel das armas nucleares francesas na segurança da Europa. A sugestão sinaliza uma possível ampliação do “guarda-chuva nuclear” da França para outros aliados europeus, uma medida que poderia fortalecer a dissuasão contra ameaças externas.

Macron justificou a necessidade dessa discussão ao afirmar que “a ameaça russa está presente” e afeta toda a Europa sem “conhecer fronteiras”. Para o presidente, permanecer passivo diante desse cenário seria “uma loucura”.

Cooperação europeia e forças de paz

Para reforçar a segurança europeia, Macron anunciou que reunirá chefes de Estado-Maior dos países dispostos a garantir um futuro acordo de paz na Ucrânia em uma reunião em Paris na próxima semana. Ele também mencionou a possibilidade de implantar forças europeias no território ucraniano para garantir o cumprimento de um eventual tratado de paz. “Essas tropas não estariam lá para lutar na linha de frente, mas sim para assegurar que a paz seja respeitada”, esclareceu.

Impacto das tarifas comerciais dos EUA

O discurso de Macron também abordou a política comercial dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump. O presidente francês criticou as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos da Europa, China, México e Canadá, classificando-as como “incompreensíveis”. Ele alertou para os impactos negativos que essas medidas podem ter tanto na economia europeia quanto na americana. “Precisamos convencer os EUA de que essa não é uma estratégia positiva”, afirmou.

Leia também
image 4

Trump tem 1º grande revés na Suprema Corte, de maioria conservadora

Foi a primeira grande decisão do tribunal contra a Casa Branca desde a volta do presidente ao poder

image 5

Tarifas de Trump trazem volatilidade no curto prazo, mas podem abrir portas ao Brasil

O presidente americano confirmou uma tarifa de 25% sobre importações de Canadá e México, e dobrou a tarifa sobre produtos chineses; agronegócio nacional pode se favorecer com a guerra comercial

Europa mais independente

Com um tom enfático, Macron reiterou que a Europa precisa se preparar para um futuro em que dependa menos dos Estados Unidos para sua defesa. “A guerra na Ucrânia não será decidida apenas pela Rússia ou pelos EUA, mas sim por um esforço coletivo da Europa”, afirmou. O presidente reforçou que a paz só será alcançada com um fortalecimento militar do bloco europeu e decisões estratégicas tomadas agora.

A proposta de Macron de um debate sobre o papel da dissuasão nuclear francesa e o fortalecimento da defesa europeia coloca em pauta um dos desafios mais críticos da política de segurança do continente. Resta saber como os demais líderes europeus reagirão a essas sugestões e se haverá um consenso para avançar nessas iniciativas.




Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *