![]() O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), retomou na noite de quarta-feira (6) o comando da Mesa Diretora, após dois dias de ocupação do plenário por parlamentares de oposição em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seu primeiro discurso após o episódio, Motta afirmou que a democracia “não pode ser negociada” e que projetos pessoais ou eleitorais não podem se sobrepor à vontade popular. “Não podemos deixar que projetos pessoais e até projetos eleitorais possam estar à frente do que é maior que todos nós: o nosso povo”, declarou. Durante a crise, Motta acionou a polícia legislativa e chegou a ameaçar suspensões de mandato por até seis meses. Os oposicionistas, no entanto, só deixaram o plenário após uma série de negociações. A sessão foi oficialmente reaberta na noite desta quarta. Ao reassumir a presidência da Casa, Motta fez um pronunciamento em tom institucional, no qual reafirmou a autoridade da Mesa Diretora e defendeu o papel do Parlamento no equilíbrio democrático: “Nossa presença nesta Mesa, na noite de hoje, é para garantir duas coisas: o respeito à Presidência, como quer que seja, e o fortalecimento desta Casa.” “A cadeira mais desafiadora do país”Motta classificou o momento como um dos mais delicados da política nacional e ressaltou a importância de o Congresso funcionar com normalidade: “Talvez, neste momento, estejamos ocupando uma das cadeiras mais desafiadoras do país. O compromisso com a democracia passa pelo fortalecimento do Parlamento.” Encerrando sua fala, o presidente da Câmara defendeu o diálogo como único caminho possível: “Vamos continuar apostando no diálogo. Só o diálogo mostrará a luz das grandes construções que o Brasil precisa. Nossa democracia não pode ser negociada.” Deputadas levaram crianças ao protestoA noite foi marcada também por cenas inusitadas. As deputadas Julia Zanatta e Caroline de Toni, ambas do PL de Santa Catarina, levaram suas filhas pequenas ao plenário durante a ocupação. Zanatta, inclusive, publicou nas redes sociais que estava usando a criança como escudo, em tom irônico, após receber críticas. “Estou sentada na cadeira do presidente Hugo Motta. Ahhhh quantas coisas poderíamos fazer se o titular dessa cadeira tivesse coragem”, falou. “Eles querem é inviabilizar o exercício profissional de uma mulher usando sim uma criança como escudo. Canalhas!” |
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